Não lembro de alguma outra vez ter escrito a respeito do conflito entre israelenses e palestinos. Sinceramente, essa guerra tem aspectos que transcendem geograficamente, temporalmente e racionalmente minha capacidade de compreensão. Nem sequer entendo direito o que acontece por lá: só vejo aquele banho de sangue, aquele conflito por picuinhas, aquelas estratégias políticas interesseiras e tantas outras coisas que só me fazem, cada vez mais, me desinteressar a respeito daquilo – e a crer, cada vez mais, que a religião tem sido uma das maiores causas de guerras na atualidade, talvez na História.
Só sei que, nas próximas horas, a Faixa de Gaza deve ser invadida por terra por tanques de Israel, que visarão, de acordo com os porta-vozes desse país, tomar o território onde se encontra concentrada grande parte do grupo Hamas, uma facção palestina radical que tomou o poder em Gaza, à força, em 2006, e que, de novo de acordo com as fontes israelenses, costumam atirar foguetes, sob forma de atos terroristas, ao outro lado da fronteira, Israel. Gaza, então, tem sido bombardeada há três dias, desde quando mais de 345 pessoas já morreram em virtude dos ataques, e mais de 1550 se feriram, até o momento em que escrevo esse texto - no maior ataque israelense à Gaza desde 1967, quando Israel expandiu suas fronteiras, também à força, lembremos, sobre o território palestino.
Não quero entrar no mérito do conflito – nele, para mim, não há mocinhos: são todos bandidos, e creio que, numa guerra que perdura já por tanto tempo, suas causas já devem ser nebulosas inclusive para seus protagonistas. Só quero deixar um registro pessoal, sob forma de protesto: independentemente de suas causas, acho inadmissível, sob quaisquer circunstâncias, que um Estado seja responsável diretamente pela morte de mais de 345 pessoas, como o de Israel tem sido. Gaza tem uma população de cerca de 1,5 milhão de habitantes (equivalente a de uma cidade como a de Porto Alegre), e, em três dias, em virtude direta das ações do Estado de Israel, e pelo número de mortes, foi como se tivesse sofrido com quase dois acidentes aéreos dos da proporção do que ocorreu em São Paulo em 2007, o maior da história do Brasil; ou como se tivesse sido acometida por duas enchentes e meia semelhantes a que ocorreu em Santa Catarina nesse mês, e que sensibilizou o nosso país inteiro. Tudo isso, em três dias!
O protesto que estou fazendo aqui me parece um tanto solitário no Brasil – pelo menos não vi muita gente por aí se manifestando contra o que está acontecendo no Oriente Médio nesse momento, ao contrário do que vem ocorrendo em muitos outros países. Quiçá porque, talvez como alguns argumentem, no nosso país morram tanto ou mais pessoas em virtude da ação ou não-ação do Estado no mesmo período de tempo, seja no requerimento não atendido de serviços públicos importantes para a vida da nossa população, seja em virtude da violência, entre civis ou com a participação também direta do Estado, através de ações da polícia. Esse raciocínio faz sentido, mas, em comparação com o que está ocorrendo em Gaza, não é a mesma coisa: uma, é o Estado ineficaz e inoperante matar ou deixar que as pessoas morram em virtude de sua incapacidade de agir ou de atuar de maneira prestativa; outra, é um Estado moderno, ágil, capaz e extremamente eficiente, como são mundialmente conhecidas as forças armadas israelenses, matar pessoas jogando bombas sobre elas.
Espero que a pressão internacional, envolvendo sociedade civil e governos, tenha a capacidade de, em breve, interromper as hostilidades na região. Enquanto escrevia essas linhas, seguramente os números de mortos e feridos que expus acima devem ter se defasado, e outros tantos relatos do horror que tem sido Gaza nesses três dias devem ter chegado ao conhecimento do mundo. Atuemos, esperemos, e torçamos pela paz.
Só sei que, nas próximas horas, a Faixa de Gaza deve ser invadida por terra por tanques de Israel, que visarão, de acordo com os porta-vozes desse país, tomar o território onde se encontra concentrada grande parte do grupo Hamas, uma facção palestina radical que tomou o poder em Gaza, à força, em 2006, e que, de novo de acordo com as fontes israelenses, costumam atirar foguetes, sob forma de atos terroristas, ao outro lado da fronteira, Israel. Gaza, então, tem sido bombardeada há três dias, desde quando mais de 345 pessoas já morreram em virtude dos ataques, e mais de 1550 se feriram, até o momento em que escrevo esse texto - no maior ataque israelense à Gaza desde 1967, quando Israel expandiu suas fronteiras, também à força, lembremos, sobre o território palestino.
Não quero entrar no mérito do conflito – nele, para mim, não há mocinhos: são todos bandidos, e creio que, numa guerra que perdura já por tanto tempo, suas causas já devem ser nebulosas inclusive para seus protagonistas. Só quero deixar um registro pessoal, sob forma de protesto: independentemente de suas causas, acho inadmissível, sob quaisquer circunstâncias, que um Estado seja responsável diretamente pela morte de mais de 345 pessoas, como o de Israel tem sido. Gaza tem uma população de cerca de 1,5 milhão de habitantes (equivalente a de uma cidade como a de Porto Alegre), e, em três dias, em virtude direta das ações do Estado de Israel, e pelo número de mortes, foi como se tivesse sofrido com quase dois acidentes aéreos dos da proporção do que ocorreu em São Paulo em 2007, o maior da história do Brasil; ou como se tivesse sido acometida por duas enchentes e meia semelhantes a que ocorreu em Santa Catarina nesse mês, e que sensibilizou o nosso país inteiro. Tudo isso, em três dias!
O protesto que estou fazendo aqui me parece um tanto solitário no Brasil – pelo menos não vi muita gente por aí se manifestando contra o que está acontecendo no Oriente Médio nesse momento, ao contrário do que vem ocorrendo em muitos outros países. Quiçá porque, talvez como alguns argumentem, no nosso país morram tanto ou mais pessoas em virtude da ação ou não-ação do Estado no mesmo período de tempo, seja no requerimento não atendido de serviços públicos importantes para a vida da nossa população, seja em virtude da violência, entre civis ou com a participação também direta do Estado, através de ações da polícia. Esse raciocínio faz sentido, mas, em comparação com o que está ocorrendo em Gaza, não é a mesma coisa: uma, é o Estado ineficaz e inoperante matar ou deixar que as pessoas morram em virtude de sua incapacidade de agir ou de atuar de maneira prestativa; outra, é um Estado moderno, ágil, capaz e extremamente eficiente, como são mundialmente conhecidas as forças armadas israelenses, matar pessoas jogando bombas sobre elas.
Espero que a pressão internacional, envolvendo sociedade civil e governos, tenha a capacidade de, em breve, interromper as hostilidades na região. Enquanto escrevia essas linhas, seguramente os números de mortos e feridos que expus acima devem ter se defasado, e outros tantos relatos do horror que tem sido Gaza nesses três dias devem ter chegado ao conhecimento do mundo. Atuemos, esperemos, e torçamos pela paz.
1 comentários:
Diego, "assino embaixo" desse teu post!
Abraços e feliz 2009!
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