sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Estoque ou Fluxo?

imagem: www.ricacruz.wordpress.com
Em seu blog, meu professor de econometria especial, Eduardo Almeida, tem escrito ótimos textos acerca da crise financeira pela qual estamos passando, desde suas causas até suas possíveis conseqüências. Estes podem ser lidos aqui, ou através do link ao lado.

Crises são sempre rodeadas por dúvidas e reflexões. Como disse certa vez Marco Aurélio, chefe da então decadente Roma do séc. II, “a filosofia nasce quando o império desaba”. Com os economistas, isso não é diferente: muitas certezas que temos acabam em xeque quando o mundo se encontra em situações como a em que estamos, e às vezes assim persistem por muito tempo, mesmo quando os ventos mudam, como foi a crise dos anos 1930, de quando, até hoje, nuvens atrapalham nosso entendimento.

Há cerca de dois dias, por exemplo, vi na televisão uma reportagem que me deixou muito impressionado: mostrava a situação de famílias brasileiras que viviam no Japão em estado de pobreza, muitas sem nem sequer condições de voltar para cá, algumas passando fome, e tudo em virtude da atual recessão econômica. Para mim, é fácil imaginar pessoas no Japão, Alemanha ou EUA com dificuldades para encontrar bons empregos, tendo que recorrer a pensões do estado, eventualmente não conseguindo pagar por suas casas ou tendo que adiar a compra de um carro novo, mas passando fome, vivendo embaixo de uma ponte e em farrapos me é um tanto estranho.

Ora, que um país pobre acabe com ainda mais pessoas na pobreza em virtude de uma recessão é extremamente compreensível, mas que os países com as maiores rendas per capita do mundo, que têm, em tese, “mais gordura para queimar”, também o façam, não parece convir com a idéia que temos de um país rico. De que servem, então, os anos de acumulação estrondosa do Japão no pós-guerra ou a formação da maior economia mundial dos EUA, crescida a passos largos durante o séc. XX, se, em um semestre de recessão, o número de pobres aumenta tanto?

Passei a me perguntar, então, o que é mais importante, se o tamanho do PIB ou o ritmo de seu crescimento. Por que, afinal, países com grande estoque de capital devem continuar a ter altas taxas de crescimento para manter o nível de bem-estar de suas populações? E se crescimento é mais importante que estoque de capital, qual o limite disso?

Sigo a pensar...

1 comentário:

Anónimo disse...

OLá, Diego!

Para mim, o importante é ter um PIB elevado. Veja o caso do Japão. Tem elevadíssimo renda per capita. E está estagnado. E daí. Os japoneses atingiram praticamente o steady state. Ou seja, quase todos possuem casa, comem, se vestem e conseguem comprar ainda uns eletrodomésticos. Não tem miséria.

O caso de países como o Brasil, China e Índia é totalmente diferente. Temos que crescer a taxas consideráveis durante muito tempo: mais ou menos uns 50 anos para atingirmos uma renda per capita que nos classifique como ricos. Mas crescer durante 50 anos não é fácil.