Não preciso estar expressando aqui, novamente, a admiração que tenho pela Madonna. Embora reconheça que, atualmente, a cantora não tenha mais a mesma expressão que tinha no início dos anos 1990, é inegável que a manutenção de seu sucesso por 25 anos torna seu trabalho, hoje, ainda mais consagrado, e mesmo respeitado, do que talvez antes o era. Além disso, acho remota a possibilidade da Madonna voltar ao Brasil, levando em consideração que o tempo esperado entre sua primeira apresentação aqui e as desse ano ter sido de 15 anos – fazendo dessa, provavelmente, a minha última oportunidade de apreciar a cantora, pelo menos aqui, no nosso país.
Minha ida de Juiz de Fora até o Rio foi metodicamente programada e, até ontem, praticamente, ainda sofria as conseqüências do estresse que o foi: o show ocorreu na minha última semana de aulas, quando tive três provas, entrega de uma lista de exercícios, e a reunião com um professor acerca de um artigo que estamos elaborando, para a qual tinha que preparar um material. Isso me obrigou a viajar para o Rio na segunda-feira à tarde, depois de uma das provas - que me fez virar acordado a madrugada anterior - e sob a forte chuva que tem castigado a região (durante determinado momento da viagem, mal se via a estrada, o que causou, no mínimo, um acidente, pelo qual passamos). Na “cidade maravilhosa”, ficaria hospedado na casa de uns amigos que tenho, o que me fez postergar a viagem em cerca de mais duas horas, tempo que durou minha ida até a casa deles, a fim de deixar minhas coisas e, de lá, ir até o Maracanã. Na terça-feira, às 13h, já estava na sala de estudos do CMEA – FEA/UFJF, me preparando para a prova do dia seguinte.
Consegui chegar ao estádio por volta das 19h30min (ou seja, somente cerca de meia-hora antes do horário previsto para o início do show). Por sorte, a entrada foi bem tranqüila, organizada, sinalizada e sem filas. Fiquei num setor chamado “arquibancada lateral”, que me deu uma visão do palco na diagonal, como se estivesse vendo uma partida de futebol de frente ao centro do campo, e o palco fosse uma das goleiras. As fotos colocadas aqui foram batidas e gentilmente cedidas pela Rosa Lívia G. Montenegro, colega minha, já mestre em Economia desde quinta-feira (e com louvor), que foi ao show no mesmo dia que eu, mas noutro setor do estádio, o que lhe deu uma visão mais frontal do palco.
Assisti o show confortavelmente sentado e rodeado por cadeiras vazias, pois, no setor onde estava, não houve lotação. Isso me dava fácil acesso aos banheiros, ao bar e aos vendedores ambulantes que passavam por ali, sem risco algum de perda de lugar. E eu, que tanto me preparei psicologicamente para ser o único heterossexual naquele ambiente, me surpreendi com o público que acompanhava a apresentação ao meu lado: muitos casais, muita gente mais velha que eu, mulheres bonitas, e todos muito bem comportados, o que me levou a crer que grande parte das pessoas que lá estavam, assim como eu, não se tratava daqueles fãs indomáveis que costumam aparecer em reportagens especiais de final de tele-jornais, mas sim de curiosos que, embora admiradores da cantora, obviamente, foram ao show mais pela intenção de assistir um grande espetáculo reconhecido mundialmente.
E essas pessoas, assim como eu, novamente, não se decepcionaram - apesar do atraso de cerca de uma hora e meia para o início do show. O site da Globo utilizou uma frase certeira para definir o show da Madonna: “Quem é fã, se emociona; e quem não é, se impressiona.” O espetáculo é, de fato, gigantesco, com muita luz por todo o estádio, muitos efeitos especiais, de sons, carros, ringues de boxe e dançarinos surgindo e sumindo do nada, coreografias, telões - a apresentação é uma daquelas que nos deixa com medo de piscar para não perder alguma coisa. O repertório, por sua vez, tampouco deixou a desejar, misturando músicas novas com clássicos antigos, embora, claro, para alguém com a história da Madonna, sempre peque por canções que gostaríamos de ouvir, mas que não cabem nas duas horas de apresentação. Salvo algum lapso de memória meu, o show seguiu à risca a playlist divulgada na imprensa:
Candy Shop
Beat Goes On
Human Nature
Vogue
Die Another Day
Into the Groove
Heartbeat
Borderline
She's Not Me
Music
Rain
Devil Wouldn't Recognize You
Spanish Lesson
Miles Away
La Isla Bonita
Doli Doli
You Must Love Me
Get Stupid
4 Minutes
Like a Prayer
Ray of Light
Hung Up
Give It 2 Me
Na minha opinião, auges do show ocorreram em três momentos: primeiro, obviamente, quando as luzes se apagaram e o show estava para começar, até a entrada da Madonna ao palco, sentada num trono, quando a expectativa que se sente é quase física; depois, durante a música Rain, quando uma estrutura vinda no teto do palco envolveu a cantora, e onde imagens de água em movimento passaram a ser exibidas de forma translúcida, de forma a fazer com que Madonna parecesse estar dentro de um cubo d’água, gerando um visual muito bonito; e, já no final, durante o clássico Like a Prayer, quando pude ver de cima o Maracanã inteiro pular e senti-lo, literalmente, tremer – momento em que se percebe estar deveras diante de um ícone histórico da música pop, e vivendo um daqueles momentos dos quais lembraremos para sempre.
Além de tudo isso, achei a Madonna muito simpática com público, conversando com a platéia, estimulando-a a pular, a cantar, soltando palavrões em momentos oportunos etc. Em Give It 2 Me, por exemplo, finalizando o show, a cantora se apresentou com uma camiseta da seleção brasileira de futebol, além de terminar sua apresentação enrolada na bandeira do Brasil – um gesto que seguramente ela deve fazer em todo país a que vai, mas que não deixa de demonstrar sua preocupação em querer agradar o público. Sua saída do palco é sucedida pela mensagem de Game Over, que fica, então, exposta nos telões enquanto a multidão se dirige atônita aos portões de saída do estádio (naquela noite, o público do show foi de cerca de 70 mil pessoas).
De ruim, só o Rio de Janeiro: aquela tradicional desorganização desde a minha chegada à rodoviária, e o trânsito caótico, fazendo do transladar de um lugar a outro quase uma aventura – na ida ao Maracanã, tive que descer do táxi muito antes de chegar, terminando o trajeto a pé, sob pena de me atrasar para o show (quem foi sob a terra, de metrô, se deu melhor, pelo que me falaram). Na saída, dezenas de táxis com seus taxímetros desligados, cobrando até R$ 150,00 por uma corrida que custaria em torno de R$ 35,00, em ocasiões normais. Tive que me afastar um tanto do estádio para conseguir um por esse preço, depois de já muito procurar.
Nada, porém, que tenha tirado a grandiosidade do evento! O show foi ótimo, e a sensação de ver a Madonna ali, na minha frente, e saber que eu estava diante de um espetáculo universal, percebido da mesma forma em diversas partes do mundo, me deixou, confesso, orgulhoso do esforço e disposição que tive para, vindo sozinho, prestigiar. E um dia, quem sabe, quando a genialidade da Madonna for (ainda mais) reconhecida, eu possa apontar para uma foto dela e dizer para os mais jovens que a vi ao vivo, no Maracanã, num fim de segunda-feira chuvosa e caótica do Rio de Janeiro.
1 comentários:
Sem dúvida, o melhor show de toda a minha vida! Também tive certa dificuldade de ir ao show, passei uma noite na fila , mas tudo valeu a pena, cada centavo investido ! O gaúcho (Diego) tb foi guerreiro, desde a compra do ingresso até a hora do show ! Nem preciso perguntar a ele se valeu a pena.... Aproveito para parabenizá-lo pelo blog, muito bem escrito e feito com muito cuidado ! Vai para a minha lista de favoritos !!
Um grande abraço gaúcho, e FELIZ 2000INOVE !!!!
Rosa Livia G. Montenegro
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