Calma, leitor. Não quero infortuná-lo com mais uma dessas campanhas pelo voto nulo que costumam aflorar nessas épocas. Solicito-te somente uma reflexão:
Não votarei esse ano. Será a primeira vez, desde os meus 16 anos, que meu voto não será computado – e a primeira, talvez, de muitas outras. Não votarei basicamente porque estou longe da minha cidade, mas, mesmo se perto estivesse, não votaria igualmente, ou melhor, o que dá no mesmo, votaria nulo.
Sei que virou praxe dos inconformados com a política incentivarem o voto nulo horas antes do início das eleições, e, devo admitir, cá entre nós, que não tenho exatamente a intenção de ser diferente. Uma pequena nuance é relevante, porém: incentivar não bem o termo, mas explicar aos que votam de forma válida o que pessoas como eu, de voto “inválido”, fazem, pois, enfim, meu voto sempre foi válido até hoje – e seguirá sendo afinal, pois não votarei nessa eleição.
Fato é que as regras eleitorais no Brasil foram feitas para sacanear o eleitor do voto nulo. Sinto-me desrespeitado com isso! Antigamente, votos brancos e nulos eram diferentes: os nulos eram desconsiderados completamente enquanto os brancos eram contatos no total de votos, impedindo, por exemplo, que algum candidato se elegesse no primeiro turno sem obter 50% dos votos, mais um. De um tempo para cá, voto branco e nulo passou a ser a mesma coisa, e ambos sendo totalmente desconsiderados. Ou seja, voto nulo não tem mais importância, como se a opinião do eleitor do voto nulo, que não vê legitimidade no processo eleitoral, não tivesse importância.
Tenho uma teoria sobre isso: essa regra foi feita prevendo-se que, caso o voto nulo fosse considerado válido, muita eleição acabaria deslegitimada pelos eleitores. Foi para impedir esse constrangimento em “uma das maiores democracias do mundo” que tal regra foi criada, num ataque à liberdade do eleitor.
Absurdo maior é dizer que o eleitor do voto nulo incentiva a eleição de maus políticos. Ora, não foi o eleitor do voto nulo que elegeu os deputados do mensalão, por exemplo, ou que elege as figurinhas carimbadas que estão infiltradas na nossa política há tempo. São os eleitores dessa laia que devem ser responsabilizados, e não o eleitor do voto nulo, que, pelo contrário, expressou sua opinião de não achar elegível nenhum candidato. É óbvio, mas nem todo mundo percebe, que quem elege os maus políticos não são os votos nulos, mas os votos válidos.
Portanto, não tenho a pretensão, como disse, de incentivar o voto nulo. Quero somente a consideração de que o voto nulo é uma expressão política e que, como tal, deve ser considerado no processo eleitoral. E, talvez mais importante que isso, deve ser apresentado como uma possibilidade legítima ao eleitor, inclusive sendo exposto nas propagandas eleitorais, da mesma forma que aquelas advertências após as propagandas de cigarros e bebidas alcoólicas: “Prezado eleitor, caso não se sinta satisfeito com nenhum candidato, é o seu direito votar nulo”, ou coisa assim. Isso certamente impediria que muita gente desnecessária ingressasse na política, e auxiliaria nossa sociedade na averiguação da legitimidade da democracia em que vivemos.
Não votarei esse ano. Será a primeira vez, desde os meus 16 anos, que meu voto não será computado – e a primeira, talvez, de muitas outras. Não votarei basicamente porque estou longe da minha cidade, mas, mesmo se perto estivesse, não votaria igualmente, ou melhor, o que dá no mesmo, votaria nulo.
Sei que virou praxe dos inconformados com a política incentivarem o voto nulo horas antes do início das eleições, e, devo admitir, cá entre nós, que não tenho exatamente a intenção de ser diferente. Uma pequena nuance é relevante, porém: incentivar não bem o termo, mas explicar aos que votam de forma válida o que pessoas como eu, de voto “inválido”, fazem, pois, enfim, meu voto sempre foi válido até hoje – e seguirá sendo afinal, pois não votarei nessa eleição.
Fato é que as regras eleitorais no Brasil foram feitas para sacanear o eleitor do voto nulo. Sinto-me desrespeitado com isso! Antigamente, votos brancos e nulos eram diferentes: os nulos eram desconsiderados completamente enquanto os brancos eram contatos no total de votos, impedindo, por exemplo, que algum candidato se elegesse no primeiro turno sem obter 50% dos votos, mais um. De um tempo para cá, voto branco e nulo passou a ser a mesma coisa, e ambos sendo totalmente desconsiderados. Ou seja, voto nulo não tem mais importância, como se a opinião do eleitor do voto nulo, que não vê legitimidade no processo eleitoral, não tivesse importância.
Tenho uma teoria sobre isso: essa regra foi feita prevendo-se que, caso o voto nulo fosse considerado válido, muita eleição acabaria deslegitimada pelos eleitores. Foi para impedir esse constrangimento em “uma das maiores democracias do mundo” que tal regra foi criada, num ataque à liberdade do eleitor.
Absurdo maior é dizer que o eleitor do voto nulo incentiva a eleição de maus políticos. Ora, não foi o eleitor do voto nulo que elegeu os deputados do mensalão, por exemplo, ou que elege as figurinhas carimbadas que estão infiltradas na nossa política há tempo. São os eleitores dessa laia que devem ser responsabilizados, e não o eleitor do voto nulo, que, pelo contrário, expressou sua opinião de não achar elegível nenhum candidato. É óbvio, mas nem todo mundo percebe, que quem elege os maus políticos não são os votos nulos, mas os votos válidos.
Portanto, não tenho a pretensão, como disse, de incentivar o voto nulo. Quero somente a consideração de que o voto nulo é uma expressão política e que, como tal, deve ser considerado no processo eleitoral. E, talvez mais importante que isso, deve ser apresentado como uma possibilidade legítima ao eleitor, inclusive sendo exposto nas propagandas eleitorais, da mesma forma que aquelas advertências após as propagandas de cigarros e bebidas alcoólicas: “Prezado eleitor, caso não se sinta satisfeito com nenhum candidato, é o seu direito votar nulo”, ou coisa assim. Isso certamente impediria que muita gente desnecessária ingressasse na política, e auxiliaria nossa sociedade na averiguação da legitimidade da democracia em que vivemos.
