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sábado, 4 de outubro de 2008

Voto Nulo é Voto Válido

Calma, leitor. Não quero infortuná-lo com mais uma dessas campanhas pelo voto nulo que costumam aflorar nessas épocas. Solicito-te somente uma reflexão:

Não votarei esse ano. Será a primeira vez, desde os meus 16 anos, que meu voto não será computado – e a primeira, talvez, de muitas outras. Não votarei basicamente porque estou longe da minha cidade, mas, mesmo se perto estivesse, não votaria igualmente, ou melhor, o que dá no mesmo, votaria nulo.

Sei que virou praxe dos inconformados com a política incentivarem o voto nulo horas antes do início das eleições, e, devo admitir, cá entre nós, que não tenho exatamente a intenção de ser diferente. Uma pequena nuance é relevante, porém: incentivar não bem o termo, mas explicar aos que votam de forma válida o que pessoas como eu, de voto “inválido”, fazem, pois, enfim, meu voto sempre foi válido até hoje – e seguirá sendo afinal, pois não votarei nessa eleição.

Fato é que as regras eleitorais no Brasil foram feitas para sacanear o eleitor do voto nulo. Sinto-me desrespeitado com isso! Antigamente, votos brancos e nulos eram diferentes: os nulos eram desconsiderados completamente enquanto os brancos eram contatos no total de votos, impedindo, por exemplo, que algum candidato se elegesse no primeiro turno sem obter 50% dos votos, mais um. De um tempo para cá, voto branco e nulo passou a ser a mesma coisa, e ambos sendo totalmente desconsiderados. Ou seja, voto nulo não tem mais importância, como se a opinião do eleitor do voto nulo, que não vê legitimidade no processo eleitoral, não tivesse importância.

Tenho uma teoria sobre isso: essa regra foi feita prevendo-se que, caso o voto nulo fosse considerado válido, muita eleição acabaria deslegitimada pelos eleitores. Foi para impedir esse constrangimento em “uma das maiores democracias do mundo” que tal regra foi criada, num ataque à liberdade do eleitor.

Absurdo maior é dizer que o eleitor do voto nulo incentiva a eleição de maus políticos. Ora, não foi o eleitor do voto nulo que elegeu os deputados do mensalão, por exemplo, ou que elege as figurinhas carimbadas que estão infiltradas na nossa política há tempo. São os eleitores dessa laia que devem ser responsabilizados, e não o eleitor do voto nulo, que, pelo contrário, expressou sua opinião de não achar elegível nenhum candidato. É óbvio, mas nem todo mundo percebe, que quem elege os maus políticos não são os votos nulos, mas os votos válidos.

Portanto, não tenho a pretensão, como disse, de incentivar o voto nulo. Quero somente a consideração de que o voto nulo é uma expressão política e que, como tal, deve ser considerado no processo eleitoral. E, talvez mais importante que isso, deve ser apresentado como uma possibilidade legítima ao eleitor, inclusive sendo exposto nas propagandas eleitorais, da mesma forma que aquelas advertências após as propagandas de cigarros e bebidas alcoólicas: “Prezado eleitor, caso não se sinta satisfeito com nenhum candidato, é o seu direito votar nulo”, ou coisa assim. Isso certamente impediria que muita gente desnecessária ingressasse na política, e auxiliaria nossa sociedade na averiguação da legitimidade da democracia em que vivemos.

sábado, 21 de junho de 2008

Gente Velha

Enquanto o pau quebra cada vez menos no RS, tendendo ao nada - aonde tende tudo o que se refere à política nesse país pagodeiro e sertanejo - transito pelas ruas de Juiz de Fora meio que sem rumo, parando somente diante de bancas de jornais, lendo as machetes pausterizadas das nossas revistas semanais, as tais formadoras de opinião, visando formar a minha.

Pois que supresa tenho! Me deparo com um grupo considerável de pessoas, meio que exaltadas, diante do jornal citadino, que falava do escândalo do prefeito local, Alberto Bejani (PTB), preso com milhões de reais em grana viva e armas, filmado recebendo propina dos empresários do péssimo transporte público juizforano e, agora, também, talvez podendo ser um dos beneficiados do mensalão-mór, aquele comandado de Brasília - e pondo Juiz de Fora no Jornal Nacional!

E eis que minha surpresa se esvaira, tão logo chega ao meu ouvido, de um senhorzinho velho e ignorante que se encontrava no grupo, que nosso querido prefeito é, enfim, querido, e que, apesar dos pesares, faz muito pela nossa gloriosa cidade...

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Pois muitos falam dos jovens de 16 anos, que não teriam condições de votar. Pois eu acho que um velho de 60 também não tem! Ou por acaso são os jovens que elegem Bejani, Maluf, Jéferson e outros tantos bons representantes da velha política nacional? Ou são os jovens que eternizam no poder os mesmos nomes, as mesmas caras, com as mesmas falcatruas, como Sarney e o clã ACM? Ou serão os jovens que reelegerão esses canalhas para mais quatro anos nas nossas cidades, e mais quatro, e mais quatro..?

Além de idade mínima para votar, deveria haver idade máxima. Essa velharada gagá não sabe o que faz! Acho que lhes sobra a tal maturidade, que soa aos meus ouvidos como inércia política.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Por Idéias Novas na Política

Sou um (ex-)petistra frustrado. Quando completei 18 anos, logo após ingressar na Faculdade de Economia da UFRGS, decidi, junto com meu colega de esquerda e de futebol, o Cão Uivador e Vagabundo Iluminado Rodrigo Cardia, me filiar ao PT. Minha família toda tinha, e tem até hoje, uma identificação muito forte com esse partido, o que evidentemente acabou influenciando na minha formação política.

Esta teve um caráter muito mais pragmático que ideológico. A influência que tive em favor do PT veio dos sindicatos, a que meu pai, metalúrgico, tinha forte relação, como é característica de toda essa classe. Por isso, nunca fui comunista, nunca li Gramsci e d'O Capital, somente alguns capítulos. Utopia para mim, é uma vida melhor, o que quer dizer "mais salário para o peão", nada mais. Esse pragmatismo da minha visão, creio, foi que me conduziu à Economia - ao contrário dos meus amigos de política, que tenderam à História, ao Direito ou às Ciências Sociais.

Mas fiquei pouco tempo filiado ao PT. O estopim da minha saída foi os problemas relacionados ao chamado "mensalão". Outras causas, no entanto, também influenciaram isso. Seguramente, a minha formação de economista foi uma delas, pois, como costumamos dizer, "o curso de Economia nos tira a ingenuidade", porque aprendi que política é igual em todos os partidos, e feita sempre da mesma forma - o que se confirmou nos anos seguintes, devido a tudo que acompanhamos, e temos ainda acompanhado, na política nacional.

Outra razão muito forte para minha saída foi o marasmo que observei dentro do PT e, de forma geral, dentro de todos os processos políticos que acompanhei lá. Hoje, não recomendo a ninguém o ingresso a partidos políticos, pois passei a achar que as mudanças reais na sociedade são feitas por pessoas de fora deles, e dentro de outras organizações. Lá, nos paridos, o fisiologismo, as intrigas e a vaidade de longe ultrapassam as boas intenções e, pelo que fiquei sabendo depois, isso não é uma característica só da política brasileira, mas de toda a política, em qualquer lugar.

Uma coisa que me incomodava muito era ver sempre as mesmas idéias e pessoas nas ordens do dia. Na política, pelo que reparei, as mudanças são lentas, e os chamados "caciques" têm muita influência nas organizações partidárias. Era muito difícil para mim, por exemplo, ouvir falar de idéias do passado, daquele esquerdismo nostálgico, ou indicar velhos para as eleições, com aquelas mentes antiquadas. E isso se mantém até hoje: nessas eleições municipais, veremos, com raríssimas exceções, as mesmas caras e as mesmas propostas falando de coisas do passado.


Essas raríssimas exceções, todavia, merecem ser prestigiadas. A principal delas, como porto-alegrense que sou, é a indicação de Maria do Rosário para prefeitura da capital gaúcha. Rosário não é exatamente nova na política, mas como candidata a um cargo executivo, sim - vencendo o dinossauro Miguel Rosseto nas prévias do partido. Se fosse Rosseto o candidato do PT à prefeitura, dificilmente me animaria com o pleito, tendendo a não votar e, se votasse, provavelmente seria no atual prefeito, José Fogaça. Agora, pelo contrário, é capaz de eu ir de Juiz de Fora à Porto Alegre só para votar em Rosário, principalmente pelo trabalho feito por ela contra a prostituição infantil, enquanto deputada federal.

Outras iniciativas também merecem ser citadas. Há movimentos no Rio de Janeiro, como esse, que visam incentivar a candidatura de Fernando Gabeira à prefeitura. Mais que Rosário, Gabeira não é nem um pouco novo na vida política nacional, mas em cargos executivos, como antes, seria. Eu, particularmente, tenho muita curiosidade em saber como seria a administração de Gabeira na prefeitura de uma cidade da importância do Rio de Janeiro, o que representaria, para mim, sem dúvida, a ascensão de idéias novas na política.

A esquerda é certamente um dos setores mais avessos a mudanças. Não há nada mais antiquado que Hugo Chavez, por exemplo, ou que esses discursos sobre imperialismo, luta de classes e socialismo, tão quanto os tais "valores da família", os bons costumes, e o moralismo do outro lado - e isso, quando tudo isso não se junta. Tem sido insuportável assistir o debate político no Brasil, nos últimos anos. O RS mesmo tem passado por uma crise financeira nas contas públicas do Estado sem precedentes principalmente devido às idéias antigas e retrógradas que permanecem por lá, principalmente no Legislativo e, mais ainda, no Judiciário. É nojento aquele bando de promotores, juízes e outros tantos burocratas, todos velhos, falando da constitucionalidade dos salários enormes que ganham.

Idéias novas, penso, é discutir a questão da escola, da estrada, da favela, da saúde. Como resolveremos todas essas questões, afinal? O que pensamos do aborto, das drogas, do casamento homossexual, da violência? Como combateremos a desigualdade e a pobreza que avassalam nosso país? Não vejo nada disso sendo discutido na política.

Que fique claro que não bastam pessoas novas. Precisamos é de mentes juvenis, arejadas. Ou seja, ACM Neto, definitivamente, não é idéia nova na política - pelo contrário, é o símbolo da perenidade do passado. Estou numa fase em que prefiro o novo duvidoso ao velho sabidamente ruim.