Esta teve um caráter muito mais pragmático que ideológico. A influência que tive em favor do PT veio dos sindicatos, a que meu pai, metalúrgico, tinha forte relação, como é característica de toda essa classe. Por isso, nunca fui comunista, nunca li Gramsci e d'O Capital, somente alguns capítulos. Utopia para mim, é uma vida melhor, o que quer dizer "mais salário para o peão", nada mais. Esse pragmatismo da minha visão, creio, foi que me conduziu à Economia - ao contrário dos meus amigos de política, que tenderam à História, ao Direito ou às Ciências Sociais.
Mas fiquei pouco tempo filiado ao PT. O estopim da minha saída foi os problemas relacionados ao chamado "mensalão". Outras causas, no entanto, também influenciaram isso. Seguramente, a minha formação de economista foi uma delas, pois, como costumamos dizer, "o curso de Economia nos tira a ingenuidade", porque aprendi que política é igual em todos os partidos, e feita sempre da mesma forma - o que se confirmou nos anos seguintes, devido a tudo que acompanhamos, e temos ainda acompanhado, na política nacional.
Outra razão muito forte para minha saída foi o marasmo que observei dentro do PT e, de forma geral, dentro de todos os processos políticos que acompanhei lá. Hoje, não recomendo a ninguém o ingresso a partidos políticos, pois passei a achar que as mudanças reais na sociedade são feitas por pessoas de fora deles, e dentro de outras organizações. Lá, nos paridos, o fisiologismo, as intrigas e a vaidade de longe ultrapassam as boas intenções e, pelo que fiquei sabendo depois, isso não é uma característica só da política brasileira, mas de toda a política, em qualquer lugar.
Uma coisa que me incomodava muito era ver sempre as mesmas idéias e pessoas nas ordens do dia. Na política, pelo que reparei, as mudanças são lentas, e os chamados "caciques" têm muita influência nas organizações partidárias. Era muito difícil para mim, por exemplo, ouvir falar de idéias do passado, daquele esquerdismo nostálgico, ou indicar velhos para as eleições, com aquelas mentes antiquadas. E isso se mantém até hoje: nessas eleições municipais, veremos, com raríssimas exceções, as mesmas caras e as mesmas propostas falando de coisas do passado.

Essas raríssimas exceções, todavia, merecem ser prestigiadas. A principal delas, como porto-alegrense que sou, é a indicação de Maria do Rosário para prefeitura da capital gaúcha. Rosário não é exatamente nova na política, mas como candidata a um cargo executivo, sim - vencendo o dinossauro Miguel Rosseto nas prévias do partido. Se fosse Rosseto o candidato do PT à prefeitura, dificilmente me animaria com o pleito, tendendo a não votar e, se votasse, provavelmente seria no atual prefeito, José Fogaça. Agora, pelo contrário, é capaz de eu ir de Juiz de Fora à Porto Alegre só para votar em Rosário, principalmente pelo trabalho feito por ela contra a prostituição infantil, enquanto deputada federal.
Outras iniciativas também merecem ser citadas. Há movimentos no Rio de Janeiro, como esse, que visam incentivar a candidatura de Fernando Gabeira à prefeitura. Mais que Rosário, Gabeira não é nem um pouco novo na vida política nacional, mas em cargos executivos, como antes, seria. Eu, particularmente, tenho muita curiosidade em saber como seria a administração de Gabeira na prefeitura de uma cidade da importância do Rio de Janeiro, o que representaria, para mim, sem dúvida, a ascensão de idéias novas na política.
A esquerda é certamente um dos setores mais avessos a mudanças. Não há nada mais antiquado que Hugo Chavez, por exemplo, ou que esses discursos sobre imperialismo, luta de classes e socialismo, tão quanto os tais "valores da família", os bons costumes, e o moralismo do outro lado - e isso, quando tudo isso não se junta. Tem sido insuportável assistir o debate político no Brasil, nos últimos anos. O RS mesmo tem passado por uma crise financeira nas contas públicas do Estado sem precedentes principalmente devido às idéias antigas e retrógradas que permanecem por lá, principalmente no Legislativo e, mais ainda, no Judiciário. É nojento aquele bando de promotores, juízes e outros tantos burocratas, todos velhos, falando da constitucionalidade dos salários enormes que ganham.
Idéias novas, penso, é discutir a questão da escola, da estrada, da favela, da saúde. Como resolveremos todas essas questões, afinal? O que pensamos do aborto, das drogas, do casamento homossexual, da violência? Como combateremos a desigualdade e a pobreza que avassalam nosso país? Não vejo nada disso sendo discutido na política.
Que fique claro que não bastam pessoas novas. Precisamos é de mentes juvenis, arejadas. Ou seja, ACM Neto, definitivamente, não é idéia nova na política - pelo contrário, é o símbolo da perenidade do passado. Estou numa fase em que prefiro o novo duvidoso ao velho sabidamente ruim.
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