terça-feira, 11 de março de 2008

Preconceito Contra os Mercados

Umas das mais instigantes questões, e talvez das mais importantes quando tratamos de Economia no Brasil, é acerca do papel dos mercados na nossa sociedade. Mais que isso, uma das maiores curiosidades que há é por que, afinal, o termo "mercados" ficou tão amaldiçoado em determinados grupos sociais e, às vezes, em países inteiros, como o nosso. Falar em "mercados", aqui, pode ser o mesmo que falar de algo ruim, do mal, sem coração, que deve ser evitado e, às vezes, extinguido.

No entanto, sou daqueles que acha que grande parte dessa maldição aos tais "mercados" se deve à incopetência nossa, dos economistas. O papel dos mercados numa sociedade, e da Economia em si, é tão mal visto muito devido à nossa incapacidade de fazer-nos entender, de sermos didáticos, de transformarmos a Economia numa ciência acessível, e de explicitar os benefícios que instituições como não só a economia de mercados, como também o capitalismo e a democracia, trouxe à humanidade.

O vulgo mercado nada mais é do que um tipo de relação social, como tantas outras a que nos integramos. O mercado é uma forma pela qual indivíduos livres e racionais, ditos indivíduos médios, interagem dentro de um contexto social e atingem resultados econômicos. Trata-se da conhecida idéia de Adam Smith(1723-1790) de que os indivíduos, quando buscam o melhor para si, acabam atingindo o melhor para todos.

Um bom exemplo da ação dos mercados além da esfera "economiscista" pode ser uma rua lotada, com muitas pessoas caminhando, como tantas que conhecemos do centro de Porto Alegre ou de Juiz de Fora. Ali, as pessoas interagem entre si, caminhando apressadas, outras nem tanto, umas desviando das outras, parando diante vitrines, entrando e saindo de lojas etc. A forma como essas pessoas interagem, pois, é um exemplo da atuação de um mercado, pois lá estão indivíduos livres (que podem mover-se para qualquer lado) e racionais (que pensam em seus próprios compromissos e caminham pelas ruas visando-os) que dão à aparente bagunça das ruas uma ordem, definida informalmente pela simples interação entre si. Se observarmos com atenção, veremos que as pessoas numa rua lotada - ou num ônibus cheio, como outro exemplo - começam a definir regras impessoais entre si, criando corredores pelas calçadas por onde uns vão enquanto outros vêm, esquinas onde terceiros param, criando pontos comerciais mais valorizados, outros menos, e até mesmo localidades onde a criminalidade é maior que em outros, e tudo em virtude da interação pela qual se guiam os indivíduos pelas ruas. Ou seja, nada mais que por uma interação de mercado.

Por que, então, uma relação tão natural entre as pessoas é tão mal vista pela sociedade? Será que tal relação social não pode trazer benefícios à humanidade, tanto no seu campo econômico quanto moral?

A ascensão da Economia no século XVIII e, nas últimas décadas, do grande avanço da microeconomia - com sua formalização matemática e auxílio de outros campos de estudo, como a Psicologia - muito foi incentivada pela intenção de responder a essas perguntas. A Economia, numa determinada interpretação, pode ser definida como a ciência que estuda as interações sociais de indivíduos livres e racionais, visando entender que fatores interferem nos resultados dessas interações.

Obviamente que ruas estreitas, com obstáculos pelo caminho, mal pavimentadas, atrapalham o ir e vir dos pedestres. É muito importante, portanto, que as instituções que regulam os mercados estejam em ordem, para que a interação entre os indivíduos ocorra de forma a atingir o melhor social.

A pergunta que resta, portanto, é se as insituições que regulam os mercados no Brasil estão em ordem, para que não continuemos a culpar a janela pela paisagem das nossas mazelas econômicas.

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